sexta-feira, 30 de julho de 2010



CARDOSO, Flamarion S.Cardoso. Uma Introdução à História: São Paulo: Brasiliense, 1981.


Ciro Flamarion Cardoso pode ser considerado um historiador de renome mundial, no campo da epistemologia da História, tem produzido livros e artigos que vem fomentar as discussões e o debate historiográfico. Cardoso em seu livro Uma introdução à história, levanta questionamento sobre a “cientificidade da história”. Este é o tema central do livro. Será a História Uma Ciência? A principio ele coloca o pensamento de um dos representantes da corrente da tendência neopositivismo que segundo Karl Popper, só em matemática a lógica. O autor deixa claro que para o neopositivismo a história não é e nem pode ser uma ciência. Mas segundo K.Marx e F.Engeles, não a dúvida de que a história possa ser plenamente cientifica. O marxismo busca localizar os fatos repetitivos e os fatores que, para um dado tipo de sociedade são ivariantes. Ainda Paul Veyne diz que: o historiador poderá no máximo aspirar a atingir certas zonas de cientificidade em meio à caótica totalidade dos acontecimentos. Marc Bloch, um dos fundadores de uma linha de tendência renovada definiu a história como ciência: para ele, não se trata da ciência do passado como pretendia alguns, mas da ciência dos homens no tempo. Entretanto pode se observar que a cientificidade da história é contestada por muitos estudiosos, constituído, pois um problema ao qual deve se responder ou ser resolvido no decorrer do livro. Pierre Vilar diz que a conquista do método cientifico em história ainda está se elaborando, e que, portanto a história é uma ciência em construção. A questão a ser respondida é “história é uma ciência?”. Através de varias vertentes filosóficas o autor vem problematizando o assunto. Levando o leitor a questionar e a indagar sobre a questão. Ele não impõe ao lestudante, uma verdade absoluta sobre a cientificidade, mas instiga o leitor a analisar os fatos e daí tirar suas conclusões através de várias teorias. Logo está é uma dificuldade a se resolvida no decorrer do livro. Ciro Flamarion S.Cardoso deixa evidente no texto a questão de que a ciência é considerada como um tipo especial de conhecimento. O autor diz que existem milhares de afirmações no senso comum que pelo povo parece verdadeira, mas não a uma comprovação científica que comprove sua veracidade. Estas e outras questões para ele são formas não cientificas considerada como: critérios subjetivos, critérios indutivos, critérios dogmáticos, critérios pragmáticos, segundo o autor a ciência não baseia em nem uma dessas modalidades. O autor vem expondo ao longo da questão a existência de um grande dilema entre as concepções da ciência. Essa forma tradicionalmente dominante da filosofia da ciência, que o caminho tem como única verdade absoluta, de não aceitar outros conhecimentos denominados como seguros acabaram entrando em choque frontal com o desenvolvimento da cientificidade da história. Entretanto a concepção adequada do que é ciência, embora limitada voluntariamente às ciências factuais devesse conter uma série de requisitos para assim ser considerado verdadeira, e lógico a matemática não se enquadraria nesse campo, pois já é uma ciência comprovada pelos cientistas.
Cardoso, ainda diz que, embora as concepções positivistas e historicistas tenham predominado entre os historiadores até o século XX. Mas nas últimas décadas, diversas pesquisas identificaram a presença de duas grandes correntes teórico-metodológicas que dominaram o campo de investigação da história. A história dos annales com a marxista, aparece numerosos pontos em comuns, mas não são iguais. O marxismo fruto da analise do passado que segundo seus representantes, é feita a partir do prisma da concepção de classe visando à busca de uma práxis revolucionaria. A outra corrente compreendida de escola dos Annales, sobretudo a partir dos escritos de Lucon Febyre Marc Bloch aparecem numerosos pontos em comum. Em conclusão ao capitulo Cardoso diz: A história é uma ciência em construção, pois o método de sua pesquisa ainda não é completo, os pesquisadores estão descobrindo os meios de analise adequados ao seu objetivo.
No segundo capitulo do livro, Cardoso fala sobre O método Científico da História. Segundo ele uma das dificuldades na construção da história como ciência trata de um problema comum a história e as outras ciências sociais, e tem a ver com o processo de construção de teorias. Porém o autor coloca quer as deficiências das teorias sociais dificultam, portanto, o manejo adequado de hipótese metodológico. Salienta ainda: isso leva, porém, a um pessimismo radical. Isso porque as ciências têm uma história, que não carece de lógica interna. O conhecimento histórico se basearia na observação indireta dos fatos através dos testemunhos conservados. Ele coloca a questão do fetichismo, usado para justificar a obsessão dos historiadores pelas fontes. E dos fetichismos do documento em particular das fontes escritas que era considerado pelos historiadores tradicionais, como a única condição de saber analisar de forma critica, como se estas por si só fossem suficientes. Marc Bloch disse, com muita razão são como testemunhas: Só falam utilmente se soubermos fazer-lhes as perguntas adequadas. Os documentos segundo o autor não são condição suficiente para que a história exista como disciplina; mas são insubstituíveis. Cardoso coloca também que são necessários os conhecimentos prévios de algumas das disciplinas auxiliares da história no qual constituem um dos fundamentos da erudição critica do historiador.
No terceiro capitulo os passos das pesquisas históricas, constitui um dos pontos paralelos do livro em que o autor vem tratando do projeto de pesquisa o que deve compor um projeto de pesquisa para ser completo, ele vem explicando detalhadamente cada parte de um projeto de pesquisa, ficando bem evidente na hora da elaboração do projeto pelo aluno.
Cardoso conclui o livro com uma pergunta: Para que serve a História? Mediante os historiadores da linha Bloch e Febyre, e ainda com, mas força, pelo marxismo. A História é a ciência das transformações das sociedades humanas no tempo e, portanto uma ciência social. Percebemos então que a perspectiva abordada pelo autor é extremamente marxista. Entretanto essa forma de definir a história é contesta por muitos estudiosos. Cardoso diz que: muitos desses pensamentos contrários à existência da história como ciência, estão mais preocupados em dizer nos que ela não é uma ciência do que em explicar-nos por que ela não pode ser uma ciência. Portanto termina o livro falando da grande responsabilidade que deve ter o historiador brasileiro. A história deve estar voltada para o coletivo e social, convém muito mais elaboração de pesquisas históricas e ensino Histórico que estejam voltados para superação do método. Superando a situação de um ensino linear, patriótico, favorecendo falsos heróis criando mitos que só servem para ratificar as antigas estruturas do ensino, tornando os conhecimentos históricos enfadonhas, e de pouca importância.
Assim o livro de Cardoso passa ter grande importância para a historiografia brasileira, salientando sobre a responsabilidade que cada historiado tem de por a suas capacidades profissionais a serviço das tarefas sociais.















terça-feira, 20 de julho de 2010

O ensino da História como responsabilidade social

Ana Maria Pereira

Segundo muitos pensadores contemporâneos, vivemos na pós-Modernidade. Não cabe discutir este conceito aqui, mas constatamos que pelo menos num aspecto, todos os pós-modernos concordam: atravessamos uma crise de paradigmas. Contexto em que o conhecimento é sistematicamente colocado à prova, ao mesmo tempo em que se afirma o relativismo das verdades historicamente construídas pela Modernidade. É nessa configuração, que discutimos o ensino de História.
O ensino dessa disciplina, até a década de 70, centrava-se na concepção diríamos, positivista e reprodutivista da História. Positivista pela crença de que o desenvolvimento histórico e resultante de uma "ordem" e de um "progresso" naturais, desdobrando-se numa sucessão de fatos explicados para uma relação lógica de causas e efeitos, cujos atores são sempre os grandes nomes da História política. Reprodutivista porque tal modelo, ao destituir o aspecto dialético e crítico dessa disciplina, serviu como instrumento de reprodução ideológica do Estado Militar.
A penetração da análise econômica da História, nos níveis Fundamental e Médio, sobretudo a partir da década de 80, subverteu esse modelo, abrindo o campo da explicação social para uma visão de totalidade histórica. Sob influência do Marxismo, da Nova História e da Historiografia Inglesa, alguns livros didáticos se renovaram e outros surgiram, incorporando avanços acadêmicos que contribuíram para maior criticidade na abordagem histórica.
Outro fator determinante para a mudança no ensino de História foi a própria exigência do Vestibular. Desde os anos oitenta, principalmente nas Universidades públicas, por meio dos Exames Seletivos dos Vestibulares, passou-se a exigir do aluno maior capacidade crítica na interpretação da História, minimizando, cada vez mais, a necessidade de memorização dos tradicionais nomes, datas e fatos isolados de seus contextos sócio-econômicos. Esse fator, certamente somou-se aos esforços que ajudaram até certo ponto, a romper com o ensino alienado de História em sala de aula. Dessa forma, muitos professores ao incorporarem uma visão crítica de sua disciplina, deixaram de ser meros reprodutores para assumirem o papel de pesquisadores do conhecimento histórico.
O aluno por sua vez, também se modificou. Em razão das mudanças internas do país, dos avanços pedagógicos e das consequências do contexto da revolução informacional mundial (era da informação), perdeu seu caráter de receptor passivo, na medida em que pelas mesmas razões, o professor perdia o monopólio absoluto do saber (se é que de fato o possuía).
Evidentemente, não significa que o professor desaprendeu ou que não conhece mais o suficiente para ensinar. Ao contrário, o professor aprendeu mais, exatamente pela consciência que adquiriu sobre suas próprias limitações e pela complexidade que se revelou o conhecimento histórico com os novos estudos e enfoques. Entretanto, a História foi destituída de seu status de consolidadora do passado, tomando-se o que de fato ela é: uma ciência em construção.
Nesse sentido, o papel do professor de História (e das outras disciplinas) extrapola o conteúdo de sua disciplina, levando-o à condição de mestre e de aprendiz. A lousa não deixa de existir, as provas continuam a ser cobradas, o livro didático permanece como ferramenta de aprendizado, mas o conhecimento, pela dinâmica transdisciplinar adquirida na contemporaneidade, não se limita a esses elementos.
Ocorre de certa forma, uma desterritorialização do espaço de aprendizado, visto que, sem eliminar a aula expositiva e os exercícios de sala de aula, aprende-se e ensina-se História em muitos espaços e por muitos meios: pela ida ao museu ou exposição de arte, pelo uso de um vídeo, por uma pesquisa ou um programa em multimídia, por leituras paradidáticas ou de revistas e jornais, etc. Práticas que têm se tornado cada vez mais comuns no cotidiano das aulas de História em nossa escola.
Neste novo cenário, ensinar História significa impregnar de sentido a prática pedagógica cotidiana, na perspectiva de uma escola-cidadã. Vale dizer, que a escola é reprodutora, na medida em que trabalha com determinados conhecimentos produzidos e acumulados pelo mundo científico, mas transformadora, visto que promove uma apropriação crítica desse mesmo conhecimento tendo em vista a melhoria da qualidade de vida da sociedade global.